Enquanto os dois presidenciáveis mais importantes dessas eleições trocam farpas – assim como seus respectivos partidos –, ao invés de apresentarem propostas viáveis, os eleitores indecisos escolhem seus candidatos através dos números que indicam o vencedor nas pesquisas eleitorais; afinal, quem é que quer votar em um perdedor. Esse tipo de atitude, tanto dos políticos quanto do eleitorado está distante de ser a conduta ideal para que sejam eleitas pessoas que realmente querem fazer alguma coisa e que valha o nosso voto.
Além disso, os candidatos que 'parecem' estar verdadeiramente interessados em disputar o pleito apoiados em propostas que interessam ao povo são deixados de lado por estarem distantes dos acordados políticos com empresas financiadoras das campanhas alheias que lucram, muito, com a vitória de um ou de outro. E essa nem é a pior parte da história. Isso é um trecho, um recorte pequeno do que ocorre no país; há ainda a questão das dúbias coligações partidárias, os favorecimentos com compra e venda de votos e etc. que não será tratado aqui... O que interessa, antes de qualquer coisa, antes até mesmo da conduta dos políticos, é o fato de que os desinteressados citados acima (que não acompanham os debates, não se interessam em pesquisar a conduta dos candidatos e votam em qualquer um – ou no que está à frente nas pesquisas – com a justificativa de que todos os políticos são iguais e que nada vai melhorar) "não sabem o quanto estão desonrando o sufrágio universal conquistado com muita luta". Pois a democracia existe para um fim. E esse fim envolve o benefício à nação, que é deturpado com as práticas apolíticas que vemos nos noticiários e jornais, como a declaração da
chefe da casa civil que chamou o candidato da oposição de "aético e derrotado" ou FHC ter se referido a Lula como fascista, entre outras posturas.

Não se pretende aqui nenhum tipo de propaganda política ou adesão a qualquer legenda partidária. Trata-se de uma crítica que vai além da política, e atinge diretamente a atitude do povo, e porque não falar caráter, pois do povo que se erguem aqueles que comandam o governo. O voto consciente vale mais que a 'compra' de candidato através dos comerciais da TV, pois o Brasil não precisa de quebra de tabus, mas da inteligência do povo.
Jackeline Vasconcelos Valentim acadêmica de Letras/UFMS